Foi o movimento anabatista (a “reforma radical”), no próprio tempo da Reforma, que pôs em prática, vigorosamente, o sacerdócio de todos os crentes, com um componente missionário fortíssimo e exemplar. Como Wolfgang Schäufele afirmou, “o ‘sacerdócio de todos os crentes’ de Luther se tornou uma realidade prática no anabatismo, com o seu caráter revivalista […].”

Franklin H. Littell alude “à visão da igreja que fez toda pessoa batizada um missionário – uma leitura do papel do leigo que foi vigorosamente negado pelas igrejas estatais protestantes, com bases teológicas, históricas e administrativas.”E Hans-Ruedi Weber, ao descrever a redescoberta do laicato no movimento ecumênico, afirmou que “a intenção básica é recuperar o ritmo necessário da igreja que está sendo reunida e enviada”.

De fato, os anabatistas foram pioneiros a tornar o mandato missionário de Cristo compulsório a todos os crentes. “Tão ativamente muitos obedeceram a este encargo, que os oponentes os caluniaram com ‘Taeufer sind Laeufer’ (os batistas são corredores, tanto quanto para dizer ‘eles correm por aí falando às pessoas, em vez de ficar em casa para trabalhar’)” (William Neufeld).

Em nossas igrejas atuais, as pessoas se convertem e se juntam às demais, acomodando-se por toda a vida nos bancos dos imóveis da igreja, resumindo a sua experiência cristã às reuniões de adoração, exigindo um enorme esforço pastoral para tentar movê-las – sem sucesso, na maioria das vezes – à evangelização pessoal efetiva e habitual. No caso do movimento anabatista, os novos convertidos entravam imediata e naturalmente no espírito do movimento, compartilhando a mensagem com as suas famílias, seus vizinhos e colegas de trabalho.[5] “A maioria dos membros da irmandade, de um modo ou de outro, contribuiu para a propagação da mensagem”, como conta Schäufele. Ele fala que a “dinâmica religiosa dominando o movimento de reavivamento anabatista, levava automaticamente os crentes individuais à atividade missionária laica”. Isso também foi visto entre os cristãos karens, em Myanmar (Birmânia, anteriormente): “Quase tão rapidamente quanto os karens se convertiam e eram batizados, eles se tornavam missionários para divulgar ainda mais as boas novas entre o seu próprio povo” (Don Richardson). Isso é fundamental para que uma igreja não se torne passiva. Em O Laicato Mobilizado, Neil Braun escreveu: “O modo mais seguro de ter uma igreja evangelística ativa é evitar um intervalo de tempo entre o entusiasmo inicial da conversão e o testemunho evangelístico efetivo dos convertidos.” Ainda: “Mesmo se há apenas dois convertidos, um curso de treinamento em evangelismo pessoal pode ser muito proveitoso.”

As seguintes palavras de Schäufele devem nos impressionar e motivar: “Quão cheia de energia espiritual e visão as congregações anabatistas devem ter sido, se tantos dos seus membros comuns eram ativos como missionários.”

N. van der Zijpp fala do alcance geográfico da expansão anabatista: “Devido à sua consciência missionária, o movimento expandiu de Zürich a outras cidades e vilas suíças, à Bavária e Banden, na Alemanha, a Tyrol e Morávia, na Áustria.” Zijpp também disse: “Mas não somente – e isso é muito importante – eram os líderes missionários, a inteira congregação era uma congregação missionária: na Holanda, na Alemanha, na Suíça, na Áustria, em todo país onde se poderiam encontrar anabatistas, não importa sob quais nomes.”