Em sua Teologia Sistemática, Paul Tillich sustentou que a teologia se move para a frente e para trás entre dois polos: a eterna verdade de seu fundamento e cada situação temporal na qual a verdade eterna deve ser recebida. Segundo ele, a situação à qual a teologia deve responder é “a totalidade da autointerpretação criativa do homem em um período específico”. Segundo Tillich, a Teologia Sistemática usa assim o método da correlação: ela faz uma análise da situação humana a partir da qual as questões existenciais surgem e demonstra que os símbolos usados na mensagem cristã são as respostas a essas questões. “A análise da situação humana é feita em termos que hoje são chamados ‘existenciais’.” Esse autor ainda afirma que a análise da situação humana feita pelo teólogo emprega materiais tornados disponíveis pela autointerpretação criativa do homem em todos os campos da cultura. A filosofia contribui, bem como a poesia, o drama, a novela etc.

O conteúdo das respostas cristãs depende dos eventos revelatórios nas quais elas aparecem. A forma das respostas depende da estrutura das questões que elas respondem. Na linguagem missiológica, o método da correlação significa contextualização do evangelho.

O poeta português Fernando Pessoa perguntou: “Quem me dispôs para o que não pudesse?” Quem nos dispôs a desejar a imortalidade impossível? A resposta teológica a essa questão existencial é que Deus pôs a vocação para a eternidade, e o desejo correspondente, no coração de suas criaturas (Eclesiastes 3:11), pois ele as criou para a eternidade. Porém, o pecado de comer o fruto proibido as tornou mortais. Deus dispôs os humanos para o que era possível, a saber, a imortalidade que a obediência traria. Mas a desobediência no Éden inviabilizou que o primeiro casal chegasse a árvore da vida, comendo de cujo fruto se imortalizaria. Pela fé em Jesus, a criatura assegura a vida eterna (João 3:16), com a qual Deus resolve o problema da morte.