Marcos conta em seu evangelho que um homem disse a Jesus: “Mestre, trouxe-te o meu filho, que tem um espírito mudo; e este, onde quer que o apanha, despedaça-o, e ele espuma, e range os dentes, e vai-se secando; e eu disse aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam” (Mc. 9:17–18). Trouxeram-lhe o moço e “quando ele o viu, logo o espírito o agitou com violência; e, caindo o endemoninhado por terra, revolvia-se, espumando” (v. 20). Jesus perguntou ao pai: “Quanto tempo há que lhe sucede isto? E ele disse-lhe: Desde a infância” (v. 21). Ele acrescentou: “E muitas vezes o tem lançado no fogo e na água, para o destruir; mas, se tu podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos” (v. 22). “Se tu podes fazer alguma coisa” não era a observação correta; porque Jesus realmente podia salvar o moço. A questão era, portanto, se aquele homem cria que Jesus podia. Fé é crer no poder ilimitado de Deus e de seu Filho. Por isso, Jesus lhe respondeu: “Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê” (v. 23). Imagine o sentimento daquele pai, em cuja responsabilidade espiritual era colocada a libertação do seu filho. “E logo o pai do menino, clamando, com lágrimas, disse: Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade” (24). Em grego, “incredulidade” é apistia, de a, “não”, e pistia, “fé” – ausência de fé. Então, ele cria ou não cria?

Aquele homem mostrou um desejo sincero de crer – “ele desejou de todo coração crer, mas precisava de ajuda para superar a sua incredulidade” (Glauner da Silva Pereira). Ele creu, mas temeu não crer o suficiente. Por isso pediu ajuda a Jesus para crer inteiramente. David Brown comenta magnificamente sobre o que aquele pai aflito quis dizer com “Ajuda a minha incredulidade”: “É inútil esconder de Ti, ó Tu, misterioso e poderoso Curador, a incredulidade que ainda luta neste meu coração; mas esse coração me dá testemunho de que eu creio em Ti; e se a descrença ainda persiste, eu a rejeito, luto contra ela, busco em Ti auxílio contra ela.”

Essas palavras são dignas de serem memorizadas! Este é o segredo para aumentar a sua fé.

O que Jesus fez, então, mediante as palavras daquele homem? Ele “repreendeu o espírito imundo, dizendo-lhe: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: sai dele e não entres mais nele” (v. 25).

John C. Ryle nos instrui, de acordo: “O que nós devemos fazer com a nossa incredulidade? Nós devemos resistir a ela e orar contra ela. Nós não devemos permitir que ela nos mantenha distante de Cristo. Nós devemos levá-la a Cristo, como nós levamos todos os outros pecados e enfermidades, e clamar a ele por libertação. Como o homem diante de nós, nós devemos clamar: ‘Senhor, ajuda a minha incredulidade.’”

Glauner da Silva Pereira
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