Durante um curso de Missiologia no Centro Evangélico de Missões, em Viçosa, MG, o professor Charles Timóteo Carriker me sugeriu que buscasse estudar com o professor Bosch, que ensinava Missiologia na Universidade da África do Sul, uma universidade federal gigantesca que ensina à distância. Bosch era um missiólogo aclamado internacionalmente. Carriker me deu o endereço residencial de Bosch, em Pretória. Depois de várias cartas trocadas com ele, tornei-me aluno da UNISA. Foi uma experiência formidável estudar com essa universidade. Fui aluno de vários professores notáveis, autores de obras significativas.

O primeiro livro do professor Bosch que o aluno de Missiologia estudava era Witness to the World: The Christian Mission in Theological Perspective. Magnífico!

Certa vez, escrevi uma carta a nele, apresentando uma dúvida. Ele respondeu em duas páginas datilografadas. Sua resposta foi um verdadeiro monumento teológico.

Em outra oportunidade, levantei uma questão sobre a teologia da missão em Lucas. Ele me disse que tratara do assunto em seu livro que estava para ser publicado, que viria a ser a sua obra magna: Transforming Mission: Paradigm Shifts in Theology of Mission. E que, se eu não pudesse esperar, ele me enviaria cópia do manuscrito sobre Lucas. Agradeci e propus-me aguardar a publicação da obra.

Quando li o livro, deparei-me com o assunto da adoração “não-cúltica” segundo Paulo. Fiquei surpreso. Escrevi-lhe pedindo ajuda pra entender a questão. Mas, infelizmente, a minha carta foi devolvida pelo Departamento de Missiologia com um bilhete anexado, informando que o professor Bosch havia falecido, aos 62 anos, em um acidente de carro, cerca de um ano após o lançamento de Transforming Mission. O livro alcançou prontamente aclamação universal. Trata-se de uma das obras missiológicas mais amplas e profundas da história.

Eu escrevi uma carta sobre a morte dele, a qual foi publicada no jornal da universidade. Nela, transcrevi estas expressivas palavras dele: “”

Com a morte dele, pus-me a pesquisar vorazmente a adoração “não-cúltica” no Novo Testamento. Reuni um acervo bibliográfico considerável sobre o assunto.

Para o mestrado em Teologia, migrei da Missiologia para a Teologia Sistemática, sendo supervisionado pelo professor Adrio König, um dos mais respeitados teólogos do nosso tempo. Mas levei o espírito missiológico comigo: a minha dissertação intitulou-se Uma Teologia Missiológica da Adoração.

Em sua última carta, o professor Bosch escreveu que talvez nós pudéssemos nos encontrar algum dia, para conversar sobre aquelas questões. O encontro ficou para a eternidade.